segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Gira.

As paredes estão caindo. O teto está para ceder.
O cinzeiro transborda cigarro.
Enquanto eu sentada no chão, agarro minhas pernas.
Talvez esse fosse o momento ideal para começar a tocar a trilha sonora da minha vida, ou da minha morte.
Eu tomei tantas decisões já, e hoje me encontro sentada.
Corremos até cair, corremos até sentar.
Meu último pedido é, por favor, alguém me ensine a andar?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Suponho que,

- É tão bonito ver o quanto ele te completa.

- Mas as vezes dói.

- Dói pelo costume de estar vazio, e quando alguém completa, dói.

Dói...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Respiração.

Gritos presos na garganta, a única coisa que sai dali é fumaça,
fumaça desesperada.
Vazio, in(constante)
O cigarro queima, me queima
queria por um segundo
que te queimasse
também
Será que é só o pulmão
mesmo
que está preto?
Alguma coisa grita dentro
de mim
voz estranha
esquisita
Devo ter perdido
alias
me perdido
A fumaça entra nos olhos
provoca
lágrimas de fumaça
Foda-se
Acende mais um cigarro
pra
só para
preencher o interior.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Espera.

Tento ver cada gesto e reação. Jogo um verde. Digo que sei onde piso e me arrisco.
Sou contra e te irrito só para ver suas narinas em movimento num apertar de olhos.
Analiso cada movimento, consigo apenas respostas vagas. Quase arranco palavras para ter alguma certeza das suas brincadeiras.
Finjo que não ouço suas palavras, na esperança de poder ouvi-las pela segunda vez.
A curiosidade que causo é recíproca,
Sorrio mesmo quando não quero.
E por algum motivo deixo escapar pensamentos fujões e sinceros.
Ironizo para fugir da verdade.
E tento provocar seus sentidos.
Sou sutil sobre o meu querer e digo coisas totalmente sóbria, dever ser questão de afinidade, confiança, esperança.
Eu não sei dos seus passos, crio ou trago a tona questões, me questiono do futuro, e 3 anos é muito.
Confuso, confusa, confusas.
Estou, está, estamos, não sei.
Mas digo e sinto, o meu bem querer pulsa fundo aqui pra você.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Comparações.

O cinzeiro transbordado de cigarro tinha motivos.
O prazer dela era acender o tal e tragar uma vez, duas, depois deixava queimar, era um briga de bituca e cinzas.
Seus amores eram iguais, ela dava um trago ou dois e viravam cinzas.
Podia até ser uma comparação absurda.
Mas era urgente o seu desejo de ver fumaça.
Ora ela fumava um filtro vermelho e se entediava e voltava para o branco.
Tinha dias que acordava com vontade de fumar um maço, noutro deixava queimar por si só, fazia fogueira com os fósforos queimados. E o seu quarto cheirava a cigarro.
A única coisa colorida eram seus olhos verdes e profundos.
Quando ela fumava o cigarro inteiro, o maço inteiro, o dia seguinte era uma merda, mas já era um ciclo vicioso.
Com o amor? O efeito era o mesmo.